Como sempre acontece na quadra natalícia, a Federação Portuguesa de Voleibol (FPV), através do seu Departamento Técnico responsável pelo Gira-Volei, procurou levar alguma alegria a crianças e jovens que não têm o contacto que desejariam com o mundo exterior e, por consequência, com o desporto.
Este ano, as instituições visitadas pelo Gira-Volei foram o Internato de São João e o Instituto Profissional do Terço, instituições centenárias de apoio aos mais desfavorecidos que estão sediadas na Cidade Invicta.
No total, foram perto de uma centena as crianças e os jovens que receberam bolas, t-shirts, pulseiras e canecas, entre outras prendas oferecidas pela FPV.
Por vezes, o desporto funciona como uma terapia e a FPV tentou, uma vez mais, proporcionar um dia diferente àqueles a quem a vida foi adversa. [Ver Reportagem]
No Internato de S. João, Patrícia Tavares fez o ponto da situação:
“A nossa instituição é já centenária. Primeiro, funcionou como um asilo, onde as pessoas mais desfavorecidas da cidade traziam para cá as crianças. A partir de 1980, a instituição sofreu algumas alterações, fizemos um acordo com a Segurança Social e agora são cá colocadas crianças que são indicadas através dos tribunais e das Comissões de Protecção de Crianças e Jovens. Essas crianças, ou são vítimas de negligência ou são elas próprias um risco.
Não é fácil lidar com estes jovens. Há sete anos, quando comecei a trabalhar aqui, tínhamos várias crianças pequenas, ou seja, o sistema dizia que quando a criança estava em risco era retirada da família ainda com 5, 6 ou 7 anos. Com o evoluir dos anos e com o nosso sistema judicial a achar que as crianças devem estar o mais tempo possível com os pais, eles chegam à instituição com 15, 16 anos. Para nós, isso representa um grave problema, porque eles já vêm com comportamentos e hábitos muito adquiridos e, por vezes, mesmo com alguns vícios instalados”.
Daí que, como referiu a Directora Técnica do Internato, sejam importantes iniciativas como a da FPV:
”Estas acções de solidariedade são óptimas; eles adoram. Tudo o que seja do exterior e que venha para eles, é muito bem-vindo.
Temos uma relação muito próxima com o Voleibol. Tínhamos já uma rede e as bolas que agora trouxeram vieram dar uma ajuda para que eles se divirtam e pratiquem desporto.
Com estas acções, existe a oportunidade de terem acesso a coisas que nós no dia a dia não lhes podemos dar.”
Daniel Formosinho, Director Técnico do Instituto Profissional do Terço, destacou a importância da afectividade:
”A nossa instituição tem já 120 anos e é um pouco complicado fazer um balanço porque, no princípio, tínhamos aqui cerca de 80 miúdos e as pessoas procuravam-nos por questões financeiras. Depois houve uma mudança, e agora são os tribunais que decidem quem entra para instituições como esta. E agora temos casos muito mais graves do que antigamente…
Um dos aspectos mais importantes para todos os técnicos que estão aqui é a afectividade. As crianças precisam de sentir que aqui têm essa afectividade por parte de todos.
E nós temos tido essa preocupação com elas. Há muitos alunos que já nos deixaram, mas que continuam a visitar-nos muitas vezes, e isso é bom.
Estas acções da Federação Portuguesa de Voleibol são muito importantes porque os jovens sentem-se recompensados e, para além disso, podem praticar a modalidade.”
Mais informações: Voleibol_solidário

